PATRIARCADOS - OS PRIMEIROS SÉCULOS DO CRISTIANISMO.
- contatogilsonss
- há 19 horas
- 4 min de leitura
Atualizado: há 4 horas
Nos primeiros séculos do CRISTIANISMO, coube aos PATRIARCADOS organizar a estrutura eclesiástica da IGREJA CATÓLICA. PATRIARCADO é um termo do CRISTIANISMO que designa o encargo eclesiástico e o território de um PATRIARCA ou BISPO. Fé Curiosa pesquisou como o CRISTIANISMO se desenvolveu nos primeiros séculos de sua existência, até a instalação da PENTARQUIA, ou o governo da cristandade universal por cinco diocéses PATRIARCAIS que foram ROMA, CONSTANTINOPLA, ALEXANDRIA, ANTIÓQUIA E JERUSALÉM.

INÍCIO DO CRISTIANISMO - O TRABALHO DOS APÓSTOLOS
PATRIARCADOS - OS PRIMEIROS SÉCULOS DO CRISTIANISMO.
O início do CRISTIANISMO se deu com as pregações e as viagens dos APÓSTOLOS DE JESUS CRISTO. Mesmo com as condições precárias e as perseguições sofridas pelos APÓSTOLOS, estima-se que no primeiro século do CRISTIANISMO a igreja cristã primitiva contava com mais de um milhão de cristãos. A pregação foi muito importante na fase inicial do CRISTIANISMO. Relata-se que no ano 100 d.C, havia igrejas em inúmeras cidades da Ásia (destaque para as cidades da Armênia e Trácia), e em muitos lugares como a Palestina, Antióquia na Síria, Macedônia, Grécia, Roma, Alexandria e provavelmente na Espanha. (Vide a publicação: https://www.fecuriosa.com/post/o-in%C3%ADcio-do-cristianismo-o-trabalho-dos-ap%C3%B3stolos-ap%C3%B3s-a-morte-de-cristo)

Nos três primeiros séculos após a morte de Cristo, o número de fiéis cristãos se espalhou e cresceu de forma demasiada. Estudiosos estimam que 50% da população do império romano (cerca de 13 milhões de pessoas), já eram cristãos. As repressões sofridas por eles não tiveram sucesso. As perseguições não eram generalizadas e nem contínuas. Quando cessavam, o exemplo de mártires e de outros que sofreram por sua fé cristã, inspirava os cristãos à difusão de sua fé. Assim, o CRISTIANISMO cresceu exponencialmente através dos testemunhos dados por cristãos anônimos.

A ACEITAÇÃO DO CRISTIANISMO PELO IMPÉRIO ROMANO
Foi em 313 d.C que o Imperador romano CONSTANTINO I, através do ÉDITO DE MILÃO, estabeleceu a liberdade de culto aos cristãos. O decreto foi motivado pelos seguintes fatores:
A Batalha da Ponte Mílvia: foi a batalha interna do império romano que fez Constantino, um oficial militar de alto escalão e membro da corte imperial romana, se tornar o imperador romano do ocidente. Em 312 d.C., Constantino antes de enfrentar seu rival Maxêncio, relatou ter tido a visão de uma cruz que continha a inscrição "In hoc signo vinces" ("Sob este signo vencerás"). Ele ordenou que seus soldados pintassem o monograma de Cristo em seus escudos. Depois de vencer a batalha e assumir o controle do império romano, ele atribuiu o triunfo diretamente ao Deus dos cristãos;
A influência da família: sua mãe, Helena (posteriormente se tornou Santa Helena), já era uma cristã devota, o que facilitou a simpatia de Constantino com a fé cristã;
A necessidade de unificação do império: o Império Romano estava fragmentado. Constantino percebeu que as perseguições violentas anteriores não tinham conseguido destruir o cristianismo. Em vez disso, a fé cristã continuava crescendo. Ele enxergou que a Igreja seria uma força social capaz de servir como elemento de coesão para consolidar o seu poder sobre todo o território.

CRISTIANISMO É OFICIALIZADO NO IMPÉRIO - OS PATRIARCADOS
Em 325 d.C ocorreu o CONCÍLIO DE NICÉIA que estabeleceu que os bispos de cada provincia civil deveriam ser encabeçados pelos bispos da capitais provinciais, ou seja, os BISPOS DE ROMA, ALEXANDRIA e ANTIÓQUIA. É o início da criação dos PATRIARCADOS.
Em 380 d.C o imperador TEODÓSIO I, promulgou o ÉDITO DE TESSALÔNIA que definiu o CRISTIANISMO COMO RELIGIÃO OFICIAL DO IMPÉRIO ROMANO. Logo a seguir, em 381 d.C, ocorreu o 1º CONCÍLIO DE CONSTANTINOPLA que decretou que o BISPO DE CONSTANTINOPLA deveria ter a mesma importância do bispo de Roma, pois Constantinopla era considerada a Nova Roma do Império. Criou-se assim, o 4º PATRIARCADO. Oficialmente, o Império Romano Ocidental terminou em 476 d.C.
Em 531 d.C, o imperador oriental (bizantino) Justiniano I definiu que:
cabe ao chefe do Estado a competência de regular a fé cristã, unificando as funções imperiais e pontificiais em sua pessoa;
oficializou que o título e os direitos de PATRIARCA somente aos bispos de ROMA, CONSTANTINOPLA, ALEXANDRIA, ANTIÓQUIA E JERUSALÉM, sob o nome de PENTARQUIA.

Em 692 d.C no CONCÍLIO DE TRULLO a PENTARQUIA recebeu a sansão eclesiástica e ordenou as 5 Sés por importância: 1a- ROMA, 2a- CONTANTINOPLA, 3a- ALEXANDRIA, 4a- ANTIÓQUIA e 5a- JERUSALÉM.
Os bispos destas 5 Sés consideravam-se sucessores dos seguintes apóstolos:
PATRIARCADO DE ROMA - SÃO PEDRO e SÃO PAULO
PATRIARCADO DE CONSTANTINOPLA - SANTO ANDRÉ
PATRIARCADO DE ALEXANDRIA - SÃO MARCOS
PATRIARCADO DE ANTIÓQUIA - SÃO PEDRO
PATRIARCADO DE JERUSALÉM - SÃO PEDRO e TIAGO, o justo.
A SEPARAÇÃO DOS PATRIARCADOS
Os PATRIARCADOS se separaram no ano de 1.054 devido a CISMA LESTE-OESTE (Questão do FILIOQUE - Vide artigo detalhado em: https://www.fecuriosa.com/post/catolicismoortodoxoporquesurgiu). O PATRIARCADO DE ROMA ficou sozinho e gerou a IGREJA CATÓLICA ROMANA. Os PATRIARCADOS do Oriente, CONSTANTINOPLA, ALEXANDRIA, ANTIÓQUIA e JERUSALÉM, formaram a IGREJA CATÓLICA ORTODOXA. No entanto, algumas Igrejas do Oriente seguiram o comando do Bispo de ROMA como os Coptas, Maronitas, Melquitas, Siríacos, Caldeus e Armênios.
OS PATRIARCADOS HOJE
IGREJA CATÓLICA ROMANA
Possui 7 PATRIARCADOS. São eles: ROMA (PAPA) e as IGREJAS COPTA (em Alexandria), MARONITA, MELQUITA e SIRÍACA (todos em Antióquia); CALDÉIA (em Bagdá) e ARMÊNIA (na Cilícia). Cada PATRIARCA ORIENTAL deve solicitar formalmente a comunhão eclesiástica ao PAPA (Bispo de Roma) para confirmar a unidade com a Igreja Romana.

IGREJA CATÓLICA ORTODOXA
Nove igrejas autocéfalas são organizadas como patriarcados. Elas seguem as regras do Código dos Cânones das Igrejas Orientais. O patriarca junto com o Sínodo dos seus Bispos, pode criar diocéses, consagrar o óleo da Crisma e legislar sobre a liturgia e costumes locais. São as 4 igrejas antigas: CONSTANTINOPLA, ALEXANDRIA, ANTIÓQUIA, JERUSALÉM e os patriarcados da BULGÁRIA, GEORGIA, SÉRVIA, RÚSSIA e ROMÊNIA.
Como a Fé é Curiosa....
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Xavier, Érico T.; O CRESCIMENTO DA IGREJA ATRAVÉS DOS SÉCULOS: Análise da História e dos Aspectos Positivos e Negativos; Revista KERYGMA Ano 4 - nº 1 - 1º Semestre de 2008; disponível em www.unasp.edu.br/kerygma/artigo7.04.asp
