JESUS: seus últimos passos. A VIA SACRA
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Quatorze estações representam os últimos passos dados por Jesus Cristo; a Via Sacra. São os momentos mais importantes da Paixão de Cristo, ou o caminho sagrado que Jesus Cristo percorreu desde sua condenação à morte feita por Poncio Pilatos (governante da província romana da Judéia), até o seu sepultamento.

A Via Sacra é lembrada pelos cristãos durante a época da Quaresma na Semana Santa, e em especial na sexta-feira santa. É celebrada em todas as igrejas e capelas utilizando imagens ou cruzes fixadas nas paredes internas de cada templo. A Via Sacra consiste em percorrer espiritualmente o caminho percorrido por Jesus, do pretório (palácio de Pilatos) até o gólgata ou o Monte Calvário, local de sua crucifixação. As estações da Via Sacra podem ser encontradas em igrejas cristãs ocidentais, luterana, anglicana e metodista.
As 14 estações
A Via Sacra é formada por 14 estações, porém, o número de estações variou muitas vezes durante o tempo. Fé Curiosa irá mostrar a seguir, toda a história desde sua criação até os dias atuais. Hoje, as 14 estações são:



A origem da celebração da VIA SACRA
Tudo se deve a São Francisco de Assis...
São Francisco de Assis venerava especialmente a Paixão de Cristo. Essa prática passou aos seus seguidores e à sua Ordem. Em 1217, São Francisco fundou a "Custódia da Terra Santa", uma instituição que tinha por objetivo proteger os lugares sagrados do cristianismo. Nesta época, Jerusalém estava dominada pelos muçulmanos. Porém, por volta de 1220, a Ordem Franciscana foi autorizada a retornar a Jerusalém. Os esforços dos Franciscanos foram reconhecidos por Roma em 1342, quando o Papa Clemente VI os proclamou custódios (guardadores/protetores) dos lugares sagrados. Os franciscanos tiveram um papel importante na criação, divulgação e proteção de todo o desenvolvimento cultural hoje existente sobre a Via Sacra.

Eram apenas 7 estações
Durante dos Séc. XV e XVI, os franciscanos começaram a construir na Europa uma série de caminhos com pequenos santuários que representavam a Paixão de Cristo na Terra Santa. As estações eram ao ar livre. Na maioria destes caminhos, a Via Sacra continha apenas 7 estações. Noutros, o número chegava até 30 estações. Os santuários das estações (pedras ou pequenas esculturas) eram definidos normalmente no caminho de igrejas. As 7 estações eram:
Jesus Cristo carregando sua cruz;
Jesus Cristo encontrando sua mãe;
Simão de Cirene ajudando Jesus a carregar a cruz;
Mulheres de Jerusalém lamentando sua morte;
Verônica encontrando Cristo;
Cristo caindo sobre a cruz; e
A crucifixação de Jesus Cristo.
O foco, na época, era o árduo trabalho de Jesus Cristo carregando sua cruz e seu sofrimento; não dando ênfase à representação dos locais onde tudo ocorreu.

A propagação da celebração da Via Sacra
A celebração da Via Sacra começa a se tornar muito popular em função do sucesso dos dramas religiosos que floresceram no Séc. XIV. Na época, os teatros religiosos gradualmente foram se abrindo às grandes massas européias. Uma obra literária intitulada Vita Jesu Christi do sacerdote católico holandês Christian van Adrichem publicada na Antuérpia em 1528, apresentou a Via Sacra contendo 12 estações. A prática da celebração se tornou muito popular na Espanha tanto que os fiéis cristãos visitavam descalços as estações todas as sextas-feiras. Na Itália, o padre Leonardo da Porto Maurizio, entre 1712 e 1751, ergueu 572 estações em todo o país, cada vez mais enraizando culturalmente a celebração da Via Sacra.

Via Sacra. Do ar livre ao interior das igrejas
Em 1686, o Papa Inocêncio XI concedeu aos padres franciscanos, o direito de erguer estações dentro de suas igrejas. Em 1731, o Papa Clemente XII estendeu a todas as igrejas o direito a ter estações, desde que um padre franciscano as erguesse com o consentimento do bispo da localidade. Ao mesmo tempo, o número de estações foi fixado em 14. Em 1857, os bispos da Inglaterra foram autorizados a erguer as estações por si mesmos, sem a atuação de um padre franciscano. Em 1862, esse direito foi passado aos bispos de toda a Igreja.
Algumas estações não são citadas na Bíblia
Apenas 8 estações tem fundamento bíblico claro. São elas:
Estação 1 - Pilatos condena Jesus - (Mt 27, 22-26)
Estação 2 - Jesus toma e carrega sua cruz - (Jo 19, 16-17)
Estação 5 - Simão ajuda Jesus a carregar a cruz - (Mc 15, 21)
Estação 8 - Jesus conforta as mulheres de Jerusalém - (Lc 23, 27-31)
Estação 10 - Jesus é despojado de suas vestes - (Jo 19, 23-24)
Estação 11 - Jesus é pregado na Cruz - (Lc 23, 33)
Estação 12 - Jesus morre na Cruz - (Lc 23, 44-46)
Estação 14 - Jesus é sepultado - (Mt 27 57-61)

A Estação 4, pela Bíblia, se apresenta fora de ordem pois Maria só é mencionada depois de Jesus ser pregado na cruz e antes de sua morte. A Bíblia também não cita o relato de uma mulher enxugando o rosto de Jesus - Estação 6 - e nem das quedas que Jesus teve - Estações 3, 7 e 9. A Estação 13 onde o corpo de Jesus é colocado sobre o colo de sua mãe difere dos evangelhos os quais afirmam que José de Arimateia retirou Jesus da Cruz e o sepultou (Mt 27 57-61).
Via Sacra - Forma Bíblica
O Papa João Paulo II, visando apresentar uma versão mais alinhada com os relatos da Bíblia, introduziu uma nova forma de devoção chamada VIA SACRA BÍBLICA. Ele a celebrou muitas vezes usando a seguinte sequência:
Jesus ora no Jardim do Getsêmani;
Jesus é traído por Judas e preso;
Jesus é condenado pelo Sinédrio;
Jesus é negado por Pedro, 3 vezes;
Jesus é condenado por Poncio Pilatos;
Jesus é açoitado e corpado de espinhos;
Jesus toma a sua cruz;
Jesus recebe ajuda de Simão de Cirene;
Jesus conforta as mulheres de Jerusalém;
Jesus é crucificado;
Jesus promete o seu reino ao ladrão arrependido;
Jesus confia Maria e João, um ao outro;
Jesus morre na cruz;
Jesus é supultado no túmulo.

Afinal, qual é a distância da Via Sacra?
Não há uma distância exata do caminho percorrido por Jesus. Na atualidade é impossível estabelecer um trajeto preciso por onde passou Jesus. O traçado que hoje se considera, não se assemelha as ruas da época. O site abiblia.org fala em um trajeto de 600 metros. Há registros também que em 1422 um peregrino chamado Martinus Polônio mediu 450 passos da Casa de Pilatos até o Gólgota. (fondacijasasamarceta.org)
Resta acrescentar que, embora não fazendo parte das estações, a RESSURREIÇÃO DE JESUS é por vezes incluída nas celebrações, como uma 15a. estação.
Como a fé é curiosa...




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