TENGRIISMO. A Religião do Povo Mongol
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Uma religião pagã originária dos habitantes do campo da Ásia Central no Século III a.C, início do Estado Huno. Foi a religião dos antigos povos mongol, turco e huno, antes da chegada das grandes religiões (Budismo, Islamismo e Cristianismo). Apesar de tão antiga, a religião coexistiu com o Islamismo e o Cristianismo até o Século XV, e hoje, ainda é cultuada em muitos países da Ásia, em especial do Cazaquistão com mais de 1 milhão de fiéis (dados demográficos de 2024) e no Quirguistão com 50.000. Em outros locais, suas crenças são combinadas com o islâmismo.

TENGRIISMO. A Religião do Povo Mongol
É uma religião que leva o nome da sua divindade suprema, o deus GOK TENGRI, significando "o céu". É considerada uma religião HENOTEÍSTA (vários deuses com um superior), pois além de GOK TENGRI, outros deuses são venerados. Estudos de seu panteão chegam a considerar 99 divindades, 55 benevolentes e 44 terríveis. No passado, elas eram invocadas por líderes e grandes xamãs sendo comuns a todos os clãs.

As divindidades TENGRIISTAS são associadas aos aspectos naturais do mundo como a terra, água, fogo, Sol, Lua e outros. Acredita-se que os animais eram símbolos totêmicos de deuses específicos como as ovelhas que associadas ao fogo, as vacas à água, os cavalos ao vento e os camelos à terra. Entre as outras divindades além de GOK TENGRI, encontra-se:
UMAY - deusa das almas, das crianças e dos bebês. É filha de GOK TENGRI;
KAYRA - deus do céu mais elevado, do ar superior, do espaço, da luz e da vida. É filho de GOK TENGRI;
ULGEN - filho de KAYRA. É o deus da bondade;
MERGEN - filho de KAYRA e irmão de ULGEN. Representa a mente e a inteligência;
ERLIK - é o deus da morte e do submundo;
AY DEDE- é o deus da Lua.
GENGHIS-KHAN
O TENGRIISMO foi a religião do grande lider GENGHIS-KHAN, fundador do império MONGOL. Diz-se que GENGHIS-KHAN encontrou GOK TENGRI nas montanhas aos 12 anos e que ele o invocou em numerosas ocasiões futuras. GOK TENGRI é mencionado várias vezes no livro "A história secreta dos mongóis", escrito no ano 1.240. Na religião popular mongol, GENGHIS-KHAN é considerado uma das encarnações, senão a principal, da vontade de GOK TENGRI.

O TENGRIISMO AO LONGO DO TEMPO
O TENGRIISMO surgiu entre as tribos nômades da Ásia Central e da Sibéria. Foi a religião oficial de vários estados medievais como os Canatos Turcos (oriental e ocidental), a Grande Bulgária antiga e a Cazária. Foi levado à Europa pelo búlgaros e pelos hunos. No Século VI sofreu um forte ataque do Judaísmo. Com o nascimento do Islamismo no Século VII e sua expansão, o TENGRIISMO se reformulou, incorporando os costumes de uma religião milenar. Construiu templos, definiu sacerdotes, profetas, uma tradição oral e cânones escritos. Foi o fundamento ético-religioso do império mongol no Século XIII. No entanto, foi perdendo força quando as principais religiões mundiais se espalharam pelas rotas comerciais. Somente no Século XV foi suplantado pelo Islamismo. Mesmo assim, sobrevive nos dias de hoje, e permanece evidente na oração de muitas mesquitas.

AS CRENÇAS E OS RITUAIS TENGRIISTAS
Os rituais TENGRIISTAS tiveram a influência dos costumes budistas e eram centrados nas figuras de espíritos. Os espirítos eram tanto do mal quanto do bem. Nos cultos, os fieis deviam conquistar as forças do bem para evitar a influência das forças do mal.
Eram feitos rituais de sacrifícios através de xamãs buscando a salvação dos espíritos, para evitar doenças e pobrezas. Pleiteáva-se também, a admissão na vida após a morte em um dos 7 níveis dos céus de TENGRI. No ritual, os xamãs descreviam em voz alta sua viagem aos céus, aspergindo em uma lareira sagrada um pouco de KYMYZ (leite de égua fermentado). O xamã caia ao chão entrando em êxtase. Narrava então uma história alegórica ao som de cântigos coletivos que era interpretado pelos assistentes, como uma revelação. Os rituais aconteciam no topo de colinas, nas margens de rios ou em bosques. Ramos de zimbro (erva aromática) eram queimados nos rituais junto com o derramamento de KYMYZ.

A COSMOLOGIA TENGRIISTA
O Universo TENGRIISTA se divide em três mundos: o mundo superior (céu - TENGRI), Terra e o mundo das trevas (inferior). O céu e o subterrâneo são divididos em sete camadas existindo nelas seres que vivem como os homens na Terra. Muitas vezes estes seres visitam a Terra, porém são invisíveis. Os céus são habitados por almas justas, o Criador GOK TENGRI e as divindades protetoras. Em determinados dias as portas do céu se abrem e, neste dia, xamãs podem realizar suas jornadas imaginárias. O submundo é a morada das almas perversas, dos demônios e das divindades malígnas.

ALMAS
Os TENGRIISTAS acreditam que as pessoas e os animais possuem três almas:
AMIN - alma que oferece a respiração e a temperatura do corpo. É a alma que revigora;
SUNESUN - alma fora do corpo que se move através da água. É a alma responsável pela reencarnação. Na morte de um ser humano, essa alma se dirige à ÁRVORE DO MUNDO antes de entrar em uma criança recém-nascida;
SULDE - a alma que fornece a personalidade. Essa alma após a morte da pessoa ou do animal residirá nos elementos da natureza, sem retornar.
O RENASCIMENTO DA RELIGIÃO
O TENGRIISMO tem sido defendido principalmente nos círculos intelectuais das nações turcas da Ásia Central como QUIRGUISTÃO, CAZAQUISTÃO e da RÚSSIA nos países TARTARISTÃO e BASCORTOSTÃO; desde a dissolução da UNIÃO SOVIÉTICA na década de 90. É hoje praticado efetivamente após um renascimento organizado em determinadas nações turcas da Sibéria (BURIÁTIA, SAKHA, KAKASSIA, TUVA, e outras).
Os desenhos e símbolos TENGRIISTAS podem ser vistos em bandeiras e selos, incluindo as bandeiras do CAZAQUISTÃO e do QUIRGUISTÃO.

PRÁTICAS ATUAIS TENGRIISTAS PRATICADAS NA ÁSIA CENTRAL
Fieis e simpatizantes muçulmanos do TENGRIISMO possuem o costume de:
Amarrar tiras ou fitas de tecido em árvores existentes nos locais de peregrinação depois de fazer sua oração. É uma oferenda TENGRIISTA ao espírito da árvore ou do local;
Queimar ispanol (sementes de harmala - arruda da índia) e transportar suas brasas pela casa para expulsar os maus espíritos, como faziam os xamãs com a fumaça de zimbro;
Pessoas doentes, além dos modernos médicos e dos imãs islâmicos, podem buscar ajuda de xamãs ou curandeiros espirituais, os quais recitam encantamentos em turco antigo ou fazem simpatias com objetos sagrados como as unhas de um lobo ou as penas de uma coruja para exorcizar aflições espirituais.

Resta acrescentar que muitas práticas TENGRIISTAS XAMÂNICAS foram absorvidas pelos costumes populares islâmicos em diversas regiões muçulmanas, em especial aqueles da Ásia Central. Eles honram os espíritos dos ancestrais, visitam fontes sagradas ou amarram oferendas em árvores, comportamentos do passado TENGRIISTA.
Como a fé é curiosa...



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