TENGRIISMO. A Religião do Povo Mongol
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- 14 de abr.
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Atualizado: 15 de abr.
Uma religiĆ£o pagĆ£ originĆ”ria dos habitantes do campo da Ćsia Central no SĆ©culo III a.C, inĆcio do Estado Huno. Foi a religiĆ£o dos antigos povos mongol, turco e huno, antes da chegada das grandes religiƵes (Budismo, Islamismo e Cristianismo). Apesar de tĆ£o antiga, a religiĆ£o coexistiu com o Islamismo e o Cristianismo atĆ© o SĆ©culo XV, e hoje, ainda Ć© cultuada em muitos paĆses da Ćsia, em especial do CazaquistĆ£o com mais de 1 milhĆ£o de fiĆ©is (dados demogrĆ”ficos de 2024) e no QuirguistĆ£o com 50.000. Em outros locais, suas crenƧas sĆ£o combinadas com o islĆ¢mismo.

TENGRIISMO. A Religião do Povo Mongol
Ć uma religiĆ£o que leva o nome da sua divindade suprema, o deus GOK TENGRI, significando "o cĆ©u". Ć considerada uma religiĆ£o HENOTEĆSTA (vĆ”rios deuses com um superior), pois alĆ©m de GOK TENGRI, outros deuses sĆ£o venerados. Estudos de seu panteĆ£o chegam a considerar 99 divindades, 55 benevolentes e 44 terrĆveis. No passado, elas eram invocadas por lĆderes e grandes xamĆ£s sendo comuns a todos os clĆ£s.

As divindidades TENGRIISTAS sĆ£o associadas aos aspectos naturais do mundo como a terra, Ć”gua, fogo, Sol, Lua e outros. Acredita-se que os animais eram sĆmbolos totĆŖmicos de deuses especĆficos como as ovelhas que associadas ao fogo, as vacas Ć Ć”gua, os cavalos ao vento e os camelos Ć terra. Entre as outras divindades alĆ©m de GOK TENGRI, encontra-se:
UMAY - deusa das almas, das crianças e dos bebês. à filha de GOK TENGRI;
KAYRA - deus do céu mais elevado, do ar superior, do espaço, da luz e da vida. à filho de GOK TENGRI;
ULGEN - filho de KAYRA. Ć o deus da bondade;
MERGEN - filho de KAYRA e irmão de ULGEN. Representa a mente e a inteligência;
ERLIK - Ć© o deus da morte e do submundo;
AY DEDE- Ć© o deus da Lua.
GENGHIS-KHAN
O TENGRIISMO foi a religião do grande lider GENGHIS-KHAN, fundador do império MONGOL. Diz-se que GENGHIS-KHAN encontrou GOK TENGRI nas montanhas aos 12 anos e que ele o invocou em numerosas ocasiões futuras. GOK TENGRI é mencionado vÔrias vezes no livro "A história secreta dos mongóis", escrito no ano 1.240. Na religião popular mongol, GENGHIS-KHAN é considerado uma das encarnações, senão a principal, da vontade de GOK TENGRI.

O TENGRIISMO AO LONGO DO TEMPO
O TENGRIISMO surgiu entre as tribos nĆ“mades da Ćsia Central e da SibĆ©ria. Foi a religiĆ£o oficial de vĆ”rios estados medievais como os Canatos Turcos (oriental e ocidental), a Grande BulgĆ”ria antiga e a CazĆ”ria. Foi levado Ć Europa pelo bĆŗlgaros e pelos hunos. No SĆ©culo VI sofreu um forte ataque do JudaĆsmo. Com o nascimento do Islamismo no SĆ©culo VII e sua expansĆ£o, o TENGRIISMO se reformulou, incorporando os costumes de uma religiĆ£o milenar. Construiu templos, definiu sacerdotes, profetas, uma tradição oral e cĆ¢nones escritos. Foi o fundamento Ć©tico-religioso do impĆ©rio mongol no SĆ©culo XIII. No entanto, foi perdendo forƧa quando as principais religiƵes mundiais se espalharam pelas rotas comerciais. Somente no SĆ©culo XV foi suplantado pelo Islamismo. Mesmo assim, sobrevive nos dias de hoje, e permanece evidente na oração de muitas mesquitas.

AS CRENĆAS E OS RITUAIS TENGRIISTAS
Os rituais TENGRIISTAS tiveram a influĆŖncia dos costumes budistas e eram centrados nas figuras de espĆritos. Os espirĆtos eram tanto do mal quanto do bem. Nos cultos, os fieis deviam conquistar as forƧas do bem para evitar a influĆŖncia das forƧas do mal.
Eram feitos rituais de sacrifĆcios atravĆ©s de xamĆ£s buscando a salvação dos espĆritos, para evitar doenƧas e pobrezas. PleiteĆ”va-se tambĆ©m, a admissĆ£o na vida após a morte em um dos 7 nĆveis dos cĆ©us de TENGRI. No ritual, os xamĆ£s descreviam em voz alta sua viagem aos cĆ©us, aspergindo em uma lareira sagrada um pouco de KYMYZ (leite de Ć©gua fermentado). O xamĆ£ caia ao chĆ£o entrando em ĆŖxtase. Narrava entĆ£o uma história alegórica ao som de cĆ¢ntigos coletivos que era interpretado pelos assistentes, como uma revelação. Os rituais aconteciam no topo de colinas, nas margens de rios ou em bosques. Ramos de zimbro (erva aromĆ”tica) eram queimados nos rituais junto com o derramamento de KYMYZ.

A COSMOLOGIA TENGRIISTA
O Universo TENGRIISTA se divide em trĆŖs mundos: o mundo superior (cĆ©u - TENGRI), Terra e o mundo das trevas (inferior). O cĆ©u e o subterrĆ¢neo sĆ£o divididos em sete camadas existindo nelas seres que vivem como os homens na Terra. Muitas vezes estes seres visitam a Terra, porĆ©m sĆ£o invisĆveis. Os cĆ©us sĆ£o habitados por almas justas, o Criador GOK TENGRI e as divindades protetoras. Em determinados dias as portas do cĆ©u se abrem e, neste dia, xamĆ£s podem realizar suas jornadas imaginĆ”rias. O submundo Ć© a morada das almas perversas, dos demĆ“nios e das divindades malĆgnas.

ALMAS
Os TENGRIISTAS acreditam que as pessoas e os animais possuem trĆŖs almas:
AMIN - alma que oferece a respiração e a temperatura do corpo. à a alma que revigora;
SUNESUN - alma fora do corpo que se move atravĆ©s da Ć”gua. Ć a alma responsĆ”vel pela reencarnação. Na morte de um ser humano, essa alma se dirige Ć ĆRVORE DO MUNDO antes de entrar em uma crianƧa recĆ©m-nascida;
SULDE - a alma que fornece a personalidade. Essa alma após a morte da pessoa ou do animal residirÔ nos elementos da natureza, sem retornar.
O RENASCIMENTO DA RELIGIĆO
O TENGRIISMO tem sido defendido principalmente nos cĆrculos intelectuais das naƧƵes turcas da Ćsia Central como QUIRGUISTĆO, CAZAQUISTĆO e da RĆSSIA nos paĆses TARTARISTĆO e BASCORTOSTĆO; desde a dissolução da UNIĆO SOVIĆTICA na dĆ©cada de 90. Ć hoje praticado efetivamente após um renascimento organizado em determinadas naƧƵes turcas da SibĆ©ria (BURIĆTIA, SAKHA, KAKASSIA, TUVA, e outras).
Os desenhos e sĆmbolos TENGRIISTAS podem ser vistos em bandeiras e selos, incluindo as bandeiras do CAZAQUISTĆO e do QUIRGUISTĆO.

PRĆTICAS ATUAIS TENGRIISTAS PRATICADAS NA ĆSIA CENTRAL
Fieis e simpatizantes muƧulmanos do TENGRIISMO possuem o costume de:
Amarrar tiras ou fitas de tecido em Ć”rvores existentes nos locais de peregrinação depois de fazer sua oração. Ć uma oferenda TENGRIISTA ao espĆrito da Ć”rvore ou do local;
Queimar ispanol (sementes de harmala - arruda da Ćndia) e transportar suas brasas pela casa para expulsar os maus espĆritos, como faziam os xamĆ£s com a fumaƧa de zimbro;
Pessoas doentes, além dos modernos médicos e dos imãs islâmicos, podem buscar ajuda de xamãs ou curandeiros espirituais, os quais recitam encantamentos em turco antigo ou fazem simpatias com objetos sagrados como as unhas de um lobo ou as penas de uma coruja para exorcizar aflições espirituais.

Resta acrescentar que muitas prĆ”ticas TENGRIISTAS XAMĆNICAS foram absorvidas pelos costumes populares islĆ¢micos em diversas regiƵes muƧulmanas, em especial aqueles da Ćsia Central. Eles honram os espĆritos dos ancestrais, visitam fontes sagradas ou amarram oferendas em Ć”rvores, comportamentos do passado TENGRIISTA.
Como a fƩ Ʃ curiosa...
