A IGREJA GRECO-CATÓLICA MELQUITA. O ritual ortodoxo seguindo o Papa.
A IGREJA GRECO-CATÓLICA MELQUITA é uma das 23 igrejas "sui iuris" da IGREJA CATÓLICA ROMANA. Seu ritual é diferente do rito romano. Chama-se RITO BIZANTINO e é herdado dos padres das Igrejas do Oriente, especialmente de São João Crisóstomo e São Basílio, "O Grande". Nele, os fiéis são envolvidos por ícones (quadros), incenso, cânticos e pelo silêncio contemplativo.

Quem foram os MELQUITAS
A palavra MELQUITA não tem nenhuma conotação étnica. Ela vem do siríaco "malka" que significa real ou imperial. Foi utilizada para identificar os cristãos orientais que foram adeptos à fé do imperador bizantino Marciano quanto ao Concílio da Calcedônia em 431. Com o tempo, o nome MELQUITA foi usado para designar os cristãos do império bizantino (antigo império romano do Oriente), especificamente aqueles que viviam nas regiões das cidades de Antióquia (cidade na Síria, hoje Antakya na Turquia), Alexandria (Egito) e Jerusalém.
Como a Igreja surgiu
Para entendermos sua criação, é preciso lembrar da época da divisão da Igreja Católica entre Romana e Ortodoxa (Oriental) ocorrida em função da Cisma de 1054. Os MELQUITAS de Antióquia adotaram o rito bizantino ficando do lado das igrejas ortodoxas orientais.

Em 1724, CIRILO IV, um patriarca sucessor de Antioquia, buscou comunhão simultânea com Roma e Constantinopla. Roma aceitou e Constantinopla não, definindo SILVESTRE como novo patriarca de Antióquia. A disputa dividiu formalmente a liderança daquela sé apostólica e deu origem à IGREJA GRECO-CATÓLICA MELQUITA, do lado de Cirilo IV com comunhão com Roma, e a IGREJA ORTODOXA GREGA DE ANTIÓQUIA do lado de Silvestre com comunhão com Constantinopla.
O termo GRECO vem do fato dos MELQUITAS serem chamados de "RUMI" ou romanos que falavam a língua GREGA.

No Brasil
A IGREJA GRECO-CATÓLICA MELQUITA chegou ao Brasil para servir aos imigrantes sírios e libaneses que chegaram ao país deste 1869. Hoje ela é organizada numa Eparquia - região eclesiástica governada por um eparca (como um bispo) nas igrejas católicas orientais e ortodoxas. A Eparquia Melquita do Brasil, abrange 5 igrejas:
Catedral Nossa Senhora do Paraíso na cidade de São Paulo - SP;
Igreja de São Basílio no Rio de Janeiro: 1a. Igreja Melquita no Brasil - 1941;
Igreja Nossa Senhora do Líbano em Fortaleza;
Igreja de São Jorge em Juiz de Fora, Minas Gerais - A Igreja do Disco Voador;
Igreja da Panagia Tsambica na cidade de Lins em São Paulo.

O RITUAL BIZANTINO
O ritual bizantino utilizado pela IGREJA GRECO-CATÓLICA MELQUITA é diferente do ritual romano utilizado nas igrejas católicas brasileiras. A diferença já começa pelas igrejas. Os altares, necessariamente, devem ser orientados para LESTE, local onde nasce o Sol. As Igrejas não são decoradas com esculturas (estátuas) de santos. Eles são representados por pinturas em quadros, os chamados ícones.
As pinturas são normalmente colocadas na ICONOSTASE, um local formado por paredes ou painéis que divide o santuário (altar), reservado aos celebrantes; do corpo central (nave), reservado aos fiéis.

Em alguns momentos, o padre celebra a missa de costas para os fiéis, enfatizando o conceito teológico de que tanto o sacerdote quanto os fiéis oferecem o sacrifício e suas orações a DEUS, todos olhando para ELE.

Outra importante diferença é que no Rito Bizantino, homens casados podem ser ordenados padres, enquanto no Rito Romano, o celibato é obrigatório.
Os cultos também são diferentes. No Rito Bizantino, a liturgia é quase inteiramente cantada, sem instrumentos musicais. No Rito Romano ocorre momentos de canto, leitura falada e o uso de instrumentos musicais.
Há ainda uma série de diferenças entre o rito bizantino e o rito romano que estão colocadas no quadro a seguir:

Finalizando
Curioso é também o ícone da crucificação de Cristo no Rito Bizantino. Cristo não aparece com o realismo da carne enfraquecida. Mesmo morto, ele não perdeu sua real e divina nobreza. Nos ícones bizantinos não há a inscrição "O Rei dos Judeus", mas sim "O Rei da Glória".




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