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RASTAFARI - UMA RELIGIÃO OU UM MODO DE VIDA?

Atualizado: 21 de set. de 2023

Divulgado pelas músicas de Bob Marley, o movimento jamaicano Rastafari pode ser classificado tanto como um movimento social quanto religioso.


Celebração Rastafari
Celebração Rastafari

Seus adeptos não vêem o movimento como uma religião propriamente dita, mas sim, como um modo de vida marcado com a prática de valores e consciência espiritual. No entanto, pesquisadores e estudiosos o classificam como uma religião abraâmica; uma mescla do Judaismo, do Cristianismo Ortodoxo Etíope, e das tradições egipcias africanas.


Sua crença é Jah (Jehovah). Tem a Etiópia como Terra Santa. Haile Selassie I, imperador da Etiópia entre 1930 e 1974, é visto como a reencarnação de Jesus Cristo, representando Deus (Jah) na Terra. Em 1936, Selassie fez um discurso histórico na Liga das Nações, posicionando-se contra a violência e as teorias racistas. A partir daí, o imperador começou a ser chamado de RAS TAFAR, ou Príncipe da Paz, inspirando o nome do movimento.


Figura de Haisse Selassie ou RAS TAFAR
Figura de Haile Selassie I ou RAS TAFAR

A religião ou movimento surgiu na década de 1930 durante as revoltas populares que ocorreram na Jamaica. A partir daí, o movimento mostrou apoio para a defesa da Etiópia após a invasão da Itália em 1934. A postura dos rastafaris assumiu então, uma dimensão cada vez mais pan-africana, lutando também contra os governos coloniais que tinham se instalado em Uganda e Quênia. Até hoje defendem o repatriamento para a África, buscando a reunião e resgate da raiz da ancestralidade humana. Crêem que toda a humanidade veio da África e que formamos uma única família.


VALORES E PRÁTICAS


É comum os rastafaris deixarem seus cabelos e barbas crescerem. Ficaram conhecidos como Dreadlocks (cabelos com tranças longas e finas). Fundamentam-se nos Nazaritas citados na Torá e no Antigo Testamento, os quais eram servidores de Deus e sua marca era não cortar os cabelos.


Dreadlocks
Dreadlocks

Apesar de se dedicarem a viver vidas pacíficas e espirituais, o auto-isolamento, aparência, crenças e práticas fizeram com que fossem vistos como um culto e movimento perigoso e subversivo a partir dos anos 60.

Nos tratamentos médicos, os rastafaris preferem utilizar ervas medicinais. A cannabis é usada como purificação em rituais de meditação. Eles não aderem as práticas capitalistas, adotando uma vida muito simples. Grande parte dos rastafaris são vegetarianos.


ORDENS RASTAFARI


Três ordens rastafari são reconhecidas na Jamaica:

  • BOBOSHANTI - acreditam na supremacia negra e que deve haver a possibilidade de repatriamento de todos os negros para a África. Usam túnicas compridas e turbantes bem apertados. São auto-suficientes. Produzem e vendem chapéus de palha e vassouras. Não usam a cannabis em público, pois ela é reservada apenas para o culto;

Boboshanti - A ordem rastafari mais ortodoxa
Boboshanti - A ordem rastafari mais ortodoxa
  • NYAHBINGUI - mas antiga das ordens rastafari. Luta pelo repatriamento para a Etiópia, de onde acreditam que todos os negros vieram. É a mais liberal das ordens. Os membros são livres para consagrar seus votos espirituais com Jah(Deus);

  • DOZE TRIBOS - consideram-se descendentes diretos dos 12 filhos de Jacó. Os 12 filhos são divididos em 12 casas determinadas pelo mês de nascimento e tem uma cor característica.

Templo rastafari em Los Angeles
Templo rastafari em Los Angeles

Acredita-se que hoje haja cerca de 1 milhão de rastafaris em todo mundo. É um movimento descentralizado e heterogêneo. Nunca houve uma autoridade central no controle. Não se envolvem em questões políticas, porém apelam aos líderes governistas a liberação do uso da cannabis.


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