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MESMERISMO. A TÉCNICA PRECURSORA DO PASSE ESPÍRITA.

Atualizado: há 1 dia

O mesmerismo implementou a técnica de imposição das mãos como terapia de cura. O gesto fundamentou o Espiritismo que passou a utilizá-lo nos passes terapêuticos. Os fenômenos mediúnicos ao lado do magnetismo formam a base científica da Doutrina Espírita.

A imposição das mãos

Kardec afirmou: "O magnetismo preparou os caminhos do espiritismo, e os rápidos progressos dessa última são, incontestavelmente, devidos à vulgarização das ideias da primeira. Dos fenômenos magnéticos, do sonambulismo e do êxtase, às manifestações espíritas, não há senão um passo; sua conexão é tal que é, por assim dizer, impossível falar de um sem falar do outro.." (Kardec,1858)


Franz Anton Mesmer (1734-1815), em sua obra publicada em 1778 expôs a sua tese da existência de um fluído ultrafino que penetra e cerca todos os corpos. Suas ideias foram chamadas de magnetismo animal. Ele acreditava existir uma força natural invisível possuída por todos os seres vivos (humanos, animais e vegetais). Acreditava que tal força poderia ter efeitos físicos, inclusive a cura.


Figura de uma aplicação do magnetismo animal

A obra abalou a ciência médica da época. Jornais da Europa comentavam o sucesso do mesmerismo. "O grande objeto das conversas da capital é sempre o magnetismo animal", dizia o Courier de L'Europe. "As pessoas só se ocupam com o magnetismo animal..." publicava o Journal de Bruxelles. O assunto ficou muito popular e era discutido em todos os lugares.


Figura de uma sessão pública de magnetimo animal

Mesmer praticava a cura com a imposição das mãos como era feito no cristianismo primitivo. O magnetismo animal popularizou-se e passou a ter grande importância no processo de terapia nas molésticas. Uma das maiores divulgadoras do mesmerismo foi Maria Antonieta, esposa de Luis XVI, rei da França, ao declarar-se curada de sua terrível enxaqueca.


Figura representativa do tratamento

Preocupado com os enfermos, Mesmer procurou transferir o magnetismo para objetos que poderiam ser transportados, evitando o deslocamento de todos os pacientes. Mesmer desenvolveu um receptor de energias magnéticas, dando-lhe o nome de "blaquet". Ficou conhecido como "tina das convulsões". O aparelho consistia de um grande tanque com duas garrafas cheias de água magnetizada que corriam para barras condutoras móveis que podiam ser colocadas sobre os locais doentes dos pacientes. O uso da tina permitia tratar 30 pacientes ao mesmo tempo; eles ficavam em torno dela durante a aplicação. Durante seu uso, no entanto, ocorreram eventos que foram chamados de "crises magnéticas". Muitos, durante o uso da tina, perdiam o controle e entravam em histeria, sofrendo desmaios e convulsões. Mesmer afirmava que esses eventos tinham valor terapêutico.


Figura representativa do uso da tina de convulsões

A técnica e os conceitos utilizados por Mesmer foram muito combatidos pela ciência. O reconhecimento científico não acontecia. Mesmer foi inúmeras vezes acusado de charlatanismo. Porém, tinha grande apoio popular. Para buscar solucionar a questão, a Academia Francesa de Ciências, a pedido do rei Luis XVI, nomeou uma comissão da qual fizeram parte o cientista Antoine Lavoisier e o então embaixador americano Benjamim Franklin. O conselho refutou o mesmerismo.


O mesmerismo foi perdendo força. A descoberta do eletromagnetismo por Orsted, Ampere e Faraday e o avanço da medicina que descobriu que o controle dos nervos não era feito por um fluído, foram motivos fortes para a queda de popularidade. O assunto, de forma definitiva, foi desconsiderado de, talvez, ser uma categoria da ciência.


O mesmerismo é considerado como um dos primeiros movimentos em larga escala a tentar aproximar os fenômenos paranormais do mundo acadêmico.


Mesmer

Mesmer foi médico alemão formado pela Universidade de Viena; teólogo pela Universidade de Ingolstadt e doutor em filosofia pela Universidade Jesuita de Dillingen. Não era uma pessoa qualquer. Seu curriculum o qualificava.


Apesar do reconhecimento de Kardec, o mesmerismo hoje é pouco reconhecido pelo movimento espírita, talvez por sua associação ao charlatanismo e magia.


Além da religião espírita, a técnica de imposição das mãos é hoje utilizada por diversas religiões japonesas como as Igrejas Messiânicas, a Mahikari e também o Reiki. Muitos estudos acadêmicos já as aceitam como técnicas de apoio aos tratamentos.








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